quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Métodos de motivação

Conceitos e características da motivação

Ao comportamento humano estão inerentes múltiplas e diferenciadas actividades, que todas as pessoas desenvolvem no seu quotidiano, como por exemplo, andar, conversar, dormir, trabalhar, etc. É possível mesmo realizar várias actividades em simultâneo.
  • Será que o indivíduo tem sempre consciência daquilo que o leva a agir?
  • O que leva os indivíduos a envolverem-se mais numas actividades do que noutras?
  • Porque mudam as pessoas de actividade, no decurso da vida?
PORQUE
  • Todo o comportamento é uma actividade dirigida
  • Todo o comportamento tende para a consecução de objectivos
Motivação Humana é a força geradora do comportamento, é o que predispõe o indivíduo para uma determinada actividade.
A motivação de cada sujeito pode ser condicionada por três factores:
  • expectativas – antecipação subjectiva do que irá acontecer;
  • valências – cada indivíduo revela tendências para valorizar um determinado tipo de resultados. Depende do objectivo e do valor que cada sujeito atribuí ao resultado final e à satisfação proporcionada;
  • instrumentalidade – é a relação causal entre o esforço intermediário e o resultado final (se o sujeito verificar que o resultado final não depende do esforço a fazer, pode optar por não se esforçar).
Há muitos indivíduos que apesar de revelarem uma boa capacidade intelectual e de aprendizagem, obtêm resultados muito baixos no seu desempenho escolar. O que falta a estes indivíduos não é a capacidade, mas a motivação. A relação entre a motivação e a aprendizagem é evidente, pois sem motivação não há aprendizagem, o que equivale a dizer, que a motivação é condição necessária para haver aprendizagem.
A aprendizagem acontece quando o indivíduo está realmente interessado em aprender; aprende-se aquilo que corresponde a uma necessidade ou a um interesse.
A motivação desempenha três funções no processo de aprendizagem:
  • função selectiva: a atenção da pessoa centra-se no campo específico do interesse dominante;
  • função energética: a pessoa intensifica a sua actividade, aumentando a sua energia e poder de concentração, para atingir os fins a que se propôs;
  • função direccional: a pessoa orienta os seus actos em direcção à meta que pretende atingir.
Neste contexto pode-se afirmar que os incentivos têm um valor motivacional relativo. É o mesmo que dizer que um mesmo incentivo pode provocar respostas distintas ou nem sequer encontrar eco em alguns formandos.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Factores que influenciam a aprendizagem


Uma das preocupações que o formador deve ter quando planifica sessões de formação, é criar situações que favoreçam a aprendizagem, tendo em conta três variáveis:
  • o que vai ensinar (objectivos/domínios da aprendizagem);
  • como ensinar (estratégias);
  • a quem ensinar (público alvo).
Existem factores internos e externos ao próprio indivíduo, que podem facilitar ou inibir o processo da aprendizagem.
Alguns destes factores estão relacionados com características das pessoas a quem se destina a formação.
O público alvo da formação profissional é, normalmente, constituído por adultos, o que implica procedimentos necessariamente diferenciados, na medida em que a aprendizagem adulta é substancialmente diferente da aprendizagem da criança e, por isso, o formador não pode ter o mesmo tipo de abordagem perante estes dois públicos distintos.
A investigação em Pedagogia de Adultos tem vindo a demonstrar que, ao contrário da crença generalizada de que "Burro velho não aprende línguas", os adultos aprendem também com facilidade desde que motivados e activos. As diversas metodologias de “transmissão” de informação numa situação de ensino/aprendizagem possuem resultados distintos na aprendizagem de adultos.

As diferenças entre as crianças e os adultos implicam alguns cuidados, que o formador deve ter, para evitar situações de insucesso e frustração, pois os adultos possuem uma fraca resistência ao fracasso em situações de ensino-aprendizagem. Possuem uma dada experiência de vida, crenças e valores acerca do mundo e dos outros, e pôr em causa os seus desempenhos, é pô-los em causa a eles enquanto pessoas. Tanto as crianças como os adultos esquecem facilmente aquilo que ouvem, ou que lêem. Mais ainda, após os 30 anos de idade, as nossas capacidades de memorização decaem. Obrigar adultos a dependerem essencialmente da memória, auditiva ou visual, é fazer uma opção pedagógica incorrecta.
Os indivíduos em formação compreendem aquilo que está a ser dito; mais tarde, serão confrontados com a surpresa desagradável de não conseguirem reproduzir essa mesma informação. Este facto, ao ser interpretado como falta de capacidades para aprender, poderá conduzir a uma perda de autoconfiança, a frustração e desmotivação face a futuras aprendizagens.
Assim, para que a prática pedagógica conduza ao sucesso da aprendizagem, o formador deve ter em conta o seguinte:
  • o nível de dificuldade das actividades propostas, deve estar ao alcance de todos;
  • o formador deve garantir a resolução mínima dos exercícios por todos os participantes;
  • as correcções necessárias não devem assumir a forma de crítica destrutiva, mas devem ser feitas em forma de sugestão, ou de incentivo ao debate, conduzindo à auto-descoberta e à auto-transformação;
  • é muito importante a informação sobre os resultados obtidos e reforçar positivamente (reduz a insegurança).
Outro tipo de factores que podem condicionar a aprendizagem são os internos ao próprio indivíduo, que fazem parte quer das suas características de personalidade, quer das suas características físicas:
  • Factores cognitivos
    • Percepção
    • Atenção
    • Memória
  • Factores socioculturais
    • Família
    • Grupos de pertença
    • Comunidade
    • Sociedade (valores, representações e estereótipos)
  • Factores biológicos
    • Neurofisiológicos
    • Genéticos
  • Factores emocionais
    • "Estados de espírito"
Existem também factores externos ao próprio indivíduo, que podem facilitar o processo da aprendizagem (são da responsabilidade do formador):
  • definir objectivos e dá-los a conhecer;
  • avaliar pré-requisitos;
  • explicitar as estratégias;
  • motivação (situar num contexto);
  • manter o grupo activo e participante (proporcionar trabalhos de grupo e de investigação);
  • utilizar os meios técnicos e práticos disponíveis (vídeo, retroprojector e outros);
  • fazer sínteses parcelares e conclusões;
  • exercícios práticos;
  • fazer a avaliação da aprendizagem;
  • discussão dos resultados.
A aprendizagem significativa, é favorecida pelos processos interactivos que se estabelecem, em relação aos quais o formador tem um papel importante, na medida em que depende dele o “clima”, o “estilo” de relações psicossociais que se estabelecem durante a formação, assim:
  • a aprendizagem deve processar-se num clima de confiança e abertura que propicie a partilha de experiências e vivências, visando um enriquecimento mútuo;
  • a aprendizagem não deve ser estanque mas negociada, os objectivos devem ser explícitos e partilhados;
  • a aprendizagem deve situar-se relativamente a um quadro de referência, apelo às experiências e vivências dos formandos, no sentido de os motivar e implicar;
  • a aprendizagem deverá ser dirigida para o aqui e agora dos acontecimentos, as finalidades devem ser explícitas.

Objectivos e domínios da aprendizagem

Como já foi referido, as tarefas de aprendizagem são múltiplas. Apesar desta multiplicidade podemos dividi-las em três grandes grupos ou domínios de aprendizagem (divisão proposta B. Bloom).

Contudo, esta divisão não significa que estes domínios se excluam, antes pelo contrário, o desenvolvimento de cada um pressupõe o desenvolvimento dos outros. Ela justifica-se por uma questão de sistematização e, ainda, porque é importante para o formador saber qual é o domínio predominantemente visado pelos objectivos de aprendizagem, para adoptar os procedimentos adequados e criar as condições necessárias à realização das tarefas propostas:
  • domínio psicomotor (saber–fazer) – domínio das actividades motoras ou manipuladoras. Conduzem ao desenvolvimento e aplicação das actividades motoras;
  • domínio cognitivo (saber-saber) – domínio da actividade mental ou intelectual. Diz respeito à aquisição de informações, ao desenvolvimento de capacidades e estratégias cognitivas e à sua aplicação a situações novas;
  • domínio afectivo (saber-estar/ser/atitudes) - domínio dos fenómenos da sensibilidade; envolvem interesses, atitudes e valores.
Como se pode ver no quadro resumo seguinte, os processos implicados na aprendizagem variam consoante os objectivos de aprendizagem visados:

Processos de Aprendizagem
Objectivos Visados
Domínios da Aprendizagem
Condicionamento ou Aquisição de Automatismos
  • Desenvolvimento da memória reprodutora
  • Aquisição de automatismo /gesto /destreza /performance
Psicomotor (saber fazer)
Intuição ou Descoberta
  • Desenvolvimento da intuição /da criatividade /da capacidade de resolução de problemas / da tomada de decisão /da autonomia /da capacidade de trabalhar em grupo
Afectivo (saber estar/ atitudes)

Cognitivo (saber saber)
Estruturação ou Processamento da Informação
  • Desenvolvimento da memória organizativa /do pensamento lógico /da capacidade de organização /estruturação /da capacidade de análise e síntese /da capacidade para a auto-formação
Cognitivo (saber saber)
Reprodução do Modelo ou Modelagem
  • Desenvolvimento da capacidade de observação /da memória afectiva e reprodutora /capacidade de reprodução rápida do “modelo“
Afectivo (saber estar /atitudes)

Psicomotor (saber fazer)

Processos de aprendizagem

A função de qualquer teoria de ensino/formação é dar a conhecer que diferentes tipos de aprendizagem:
             • implicam diferentes processos cognitivos;
             • pressupõem diferentes capacidades;
             • exigem níveis de resposta diferenciados.
Estes constituem aspectos facilitadores ou inibidores das aprendizagens em jogo.
O formador é, antes de mais, um facilitador de aprendizagem funcionando como mediador entre os saberes que o formando já tem e os que necessita de adquirir. O conhecimento dos processos cognitivos envolvidos na resolução das diferentes tarefas de aprendizagem, ajuda quer o formando, quer o formador a optimizarem o seu trabalho. Para o formando, conhecer os processos cognitivos, ajuda-o a encontrar as estratégias e as soluções adequadas às diferentes tarefas de aprendizagem; ao formador, ajuda-o a escolher os tipos de aprendizagem mais úteis e ajustados aos objectivos pretendidos e a criar condições de aprendizagem que facilitem a realização destas mesmas tarefas. Como se constata no quadro seguinte, aprendemos de várias formas, e as diferentes formas como aprendemos, implicam processos de aprendizagem diferentes.
 

Aprendemos
Processos de Aprendizagem
Teorias / Principais Representantes
  • Fazendo / Experimentando
  • com o erro
  • repetindo
  • memorizando
  • imitando
  • reproduzindo o modelo
Condicionamento ou Aquisição de automatismos

Modelagem ou Reprodução de Modelos
Comportamentalistas / Behavioristas ( Watson, Thorndike, Skiner. )

Aprendizagem Social (Modelling), (Albert Bandura)
  • com o grupo
  • com a situação
  • com o problema
  • descobrindo
  • transferindo
  • associando/dissociando
  • estruturando
  • analisando
  • contextualizando
  • aprendendo a aprender
Intuição ou descoberta (Insight)


Estruturação ou elaboração da informação
Cognitivistas (Wertheimer, Köhler, Koffka, Lewin, Piaget, Bruner, Ausubel, Chomsky …)

Aprendizagem na Era Digital

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Teorias e modelos de aprendizagem

As correntes da psicologia não foram consensuais no que concerne ao estudo da aprendizagem. As teorias Comportamentalistas, focaram sobretudo a relação Estímulo-Resposta, e procuraram saber quais as leis que presidiam ao estabelecimento desta relação. As teorias Humanistas acentuaram sobretudo o carácter único da experiência de cada um, tendo por isso dificuldade em estabelecer leis gerais. As teorias Cognitivistas dirigiram a sua atenção para os processos cognitivos, isto é, para o que se passa na cabeça do sujeito entre a recepção de um estímulo e a execução de uma resposta.
Destas diferentes perspectivas surgem os princípios psicopedagógicos, e as técnicas de ensino que cada corrente considerou adequadas tendo em vista a eficácia da aprendizagem

Teorias Comportamentalistas

Princípios Psicopedagógicos
  • Definir com maior exactidão possível os objectivos finais da aprendizagem;
  • Análise cuidada da estrutura das tarefas, de modo a determinar os objectivos do percurso;
  • Apresentação da matéria em sequências curtas de forma a permitir um melhor condicionamento do sujeito, conduzindo-o através de experiências positivas de aprendizagem;
  • Apresentar estímulos capazes de suscitar as reacções adequadas às aprendizagens desejadas;
  • Reforçar as reacções desejadas;
  • Proporcionar o conhecimento dos resultados da aprendizagem como forma de retroalimentação do processo;
  • Recompensar, retirar a recompensa ou punir, em função da relação entre o comportamento expresso e a aprendizagem desejada;
  • Exercitar os comportamentos aprendidos.
Técnicas de Ensino
  • Exercícios de repetição;
  • Ensino individualizado, tipo programado;
  • Demonstrações para imitação;
  • Memorização.

Teorias Cognitivistas

Princípios Psicopedagógicos
  • Motivação, motivar o sujeito para aprendizagem, relacionando as suas necessidades pessoais com os objectivos da própria aprendizagem;
  • Valorização da experiência anterior, reconhecer que a estrutura cognitiva do sujeito depende da sua visão do mundo e das suas experiências anteriores;
  • Estratégias de ensino adaptadas ao nível de desenvolvimento dos sujeitos;
  • Relacionar o novo com o adquirido, ajudar os sujeitos a relacionar conhecimentos e habilidades novos com conhecimentos e habilidades anteriormente adquiridos;
  • Valorização da compreensão em detrimento da memorização;
  • Fornecer informações, indicar factos, fornecer pistas que facilitem a compreensão, organização e retenção dos conhecimentos;
  • Valorizar a prática, a experimentação de novos conhecimentos, não equacionar a prática como repetição, mas concebe-la como uma série de tentativas sucessivas e variadas, que facilitem a transferência de habilidades e conhecimentos para novas situações;
  • Sistematização: iniciar cada unidade de ensino apresentando conjuntos significativos e descer gradualmente ao pormenor.
Técnicas de Ensino
  • Ensino pela descoberta;
  • Apresentação dos objectivos;
  • Introduções;
  • Sumários;
  • Questionários orientados para a compreensão;
  • Esquemas;
  • Debates;
  • Discussões;
  • Estudo de casos.

Teorias Humanistas

Princípios Psicopedagógicos
  • A preocupação central não deve ser com o ensino, mas sim com a aprendizagem numa perspectiva de desenvolvimento da pessoa humana;
  • Centrar a aprendizagem no sujeito e nas suas necessidades, na sua vontade e nos seus sentimentos;
  • Desenvolver no indivíduo a responsabilidade pela auto-aprendizagem e incutir-lhe o espírito de auto-avaliação;
  • Centrar a aprendizagem em actividades e experiências significativas para o educando;
  • Desenvolver no seio do grupo relações interpessoais baseadas na empatia;
  • Ensinar também a sentir e não apenas a pensar;
  • Ensinar a aprender;
  • Criar no seio do grupo uma atmosfera emocional positiva, que ajude o educando a integrar novas experiências e novas ideias;
  • Promover a aprendizagem activa, orientada para processos de descoberta, autónomos e reflectidos.
Técnicas de Ensino
  • Ensino individualizado;
  • Discussões;
  • Debates;
  • Painéis;
  • Simulações;
  • Jogos de Papéis;
  • Resolução de Problemas.

Conceito e características da aprendizagem


O formador é um facilitador de aprendizagem por isso tem como tarefa principal levar os formandos a aprender. Isto quer dizer que deve ser capaz de criar situações que favoreçam a aprendizagem. A aprendizagem é a capacidade de que quotidianamente necessitamos para responder adequadamente às diferentes solicitações e desafios que se nos colocam na nossa interacção com o meio.

Será que existe um único tipo de aprendizagem, ou seja, aprende-se sempre da mesma maneira, independentemente do objectivo da aprendizagem?
Por exemplo, durante um curso de formação quando se solicita aos formandos:
  • que reproduzam um determinado conceito teórico;
  • que a partir dos conceitos teóricos transmitidos resolvam um problema;
  • que façam uma demonstração prática.
Será que nas três situações apresentadas está presente o mesmo tipo de aprendizagem e serão os mesmos os processos cognitivos (mentais) em jogo?
Para se conseguir realizar as diferentes tarefas constatamos que, provavelmente, existem vários tipos de aprendizagem e diferentes processos cognitivos.
Para que o formador consiga cumprir a sua tarefa de facilitador de aprendizagem é necessário que compreenda o que se passa na cabeça do “sujeito que aprende”. Esta análise pode ajuda-lo a planificar a formação de modo a rentabilizar os processos internos intervenientes na aprendizagem. Com o intuito de auxiliar os utilizadores/futuros formadores a atingirem estes objectivos, o presente módulo vai abordar um conjunto de conceitos e reflexões sobre:
  • conceitos e características da aprendizagem;
  • teorias, modos/modelos/mecanismos de aprendizagem;
  • processos, etapas e factores psicológicos da aprendizagem;
  • fontes e métodos de motivação.